SÃO PAULO, 13 de maio de 2009 – A construtora Tenda, que atua no segmento popular, encerrou o primeiro trimestre deste ano com uma queda de 37,1% em seu lucro líquido, que chegou a R$ 11,04 milhões. Controlada pela Gafisa desde setembro do ano passado, a empresa está tentando se livrar de despesas administrativas muito pesadas, afirma o diretor de relações com investidores Paulo Mazzali. Com foco no segmento popular, a Tenda criou novo ânimo desde o lançamento, no mês passado, do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
“Crescemos muito ao longo de 2008 e agora temos dois caminhos a serem seguidos: aumentar a linha de receita e elevar a eficiência na estrutura de vendas”, diz.
As despesas comerciais subiram 25,1%, de R$ 18,8 milhões no primeiro trimestre de 2008 para R$ 23,5 milhões no mesmo período deste ano. As despesas comerciais representaram 9,3% do volume de vendas contratadas do período contra 7,7% de janeiro a março de 2008. “Deixamos a casa relativamente arrumada no começo do ano, mas vamos buscar mais eficiência”, diz Mazzali.
A Tenda, contando com a continuidade na instabilidade econômica no primeiro trimestre, decidiu priorizar a venda de unidades em estoque. Começou o ano com um estoque de R$ 1,1 bilhão e de janeiro a março comercializou R$ 252 milhões. “Lançamento não é o foco agora; deve voltar a ser feito no segundo semestre.”
Para a Tenda, o pacote do governo – que prevê investimentos de mais de R$ 30 bilhões na construção de 1 milhão de moradias para famílias com renda entre um e 10 salários mínimos – fez ressurgir a demanda. Hoje com produtos para famílias com renda entre três e 10 salários, a empresa quer entrar no segmento de um a três.
Eztec
A Eztec, focada nas classes média, média alta e setor corporativo, começa a sentir benefícios do programa do governo. “Independentemente de lançamentos, com o programa 74% a mais do nosso estoque passou a se encaixar nos novos limites do SFH e do FGTS”, diz o diretor financeiro e de relações com investidores, Emílio Fugazza.
A companhia, que reduziu o ritmo de lançamentos já em março de ano passado, encerrou o primeiro trimestre deste ano com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 36,3 milhões, alta de 148,8%. A margem Ebitda subiu 11,1 pontos percentuais para 34,8%. “Passamos a lançar somente o que tinha uma demanda formada (pelo menos 50%)”, afirma Fugazza.
No primeiro trimestre a empresa reduziu em 50,5% os lançamentos, que chegaram a R$ 54,4 milhões. No período lançou um empreendimento comercial que com valor potencial de vendas próprio de R$ 54,4 milhões teve 80% das unidades vendidas na semana de lançamento. Hoje, a Eztec tem 19 empreendimentos em construção e um lançamento programado para sexta-feira. Com valor potencial de R$ 235,4 milhões, será o maior projeto já lançado pela Eztec. No período, a receita líquida da Eztec cresceu 69,4 % para R$ 104,5 milhões e o lucro líquido 71,5% para R$ 39,4 milhões.
(Valéria Serpa Leite – Gazeta Mercantil)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
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