03/06/2009Se o primeiro trimestre foi difícil para muitos segmentos econômicos no Brasil e, principalmente, no mundo, a L´Oréal não tem do que reclamar. O crescimento do faturamento neste início de ano, diz o presidente da companhia no Brasil, François-Xavier Fenart, foi robusto e os dados de maio indicam uma consolidação desse ritmo.
"Tivemos um crescimento forte no primeiro trimestre, na casa dos dois dígitos, e os números de maio devem confirmar essa expansão", diz o líder da empresa de cosméticos, que em 2009 completa 100 anos de existência e 50 anos de Brasil. Segundo ele, entre as razões para os bons resultados estão os produtos que foram desenvolvidos pela divisão de pesquisas local, criada em meados de 2007 e focada nas necessidades da consumidora brasileira.
Entre os sucessos, está o xampu Elseve reparador total 5, que se propõe a reparar cinco sinais de fragilidade capilar e teve ampla campanha de marketing estrelada pela atriz Grazi Massafera. De acordo com o executivo, nesse segmento há ainda a linha capilar feita à base de geleia real, que está começando a chegar no mercado, e os desodorantes Bi-O. "Esse foi um mercado no qual resolvemos entrar com mais força e estamos tendo um resultado muito positivo", diz Fenart.
O Brasil, como maior mercado da América Latina para a companhia, tem dado alegrias à L´Oréal. No primeiro trimestre, o faturamento latino-americano teve uma expansão de 9,7% enquanto a média global registrou uma retração de 4,3%, comportamento que tem sido verificado também em outros grupos empresariais, por conta do maior impacto da crise nas economias mais desenvolvidas.
Para o presidente da operação brasileira, apesar das turbulências, 2009 tem muito potencial para se tornar um ano bastante positivo para a L´Oréal no Brasil. No ano passado, diz Fenart, a empresa ampliou sua participação no mercado e colocou nas prateleiras os primeiros produtos desenvolvidos pela divisão de pesquisa científica local.
Segundo Fenart, a companhia lidera o segmento de dermocosméticos (que têm concentração de princípio ativo maior que a dos cosméticos comuns) com as linhas La Roche Posay e Vichy, e tem posição destacada também nos segmentos de produtos de uso profissional e de luxo, em que estão os importados, como as marcas Lâncome e Biotherm.
Na divisão chamada de grande público, em que estão os produtos de varejo, ele diz que a empresa é a segunda do mercado, mas com "grandes ambições" de ter crescimento forte, acima da média do mercado. É justamente nesse segmento que estão os produtos feitos a partir da pesquisa local. Segundo ele, nas quatro marcas do segmento - L´Oréal, Garnier, Maybelline e Colorama - há expectativas positivas.
Fenart diz que como a grade de produtos da empresa é muito diversificada, a cada momento do mercado pode-se focar mais num determinado nicho. Em momentos de crise econômica, por exemplo, há os produtos de menor custo, como os xampus que custam em torno de R$ 4,70.
Para Fenart, além dos itens mais voltados para o varejo, outra linha que deve continuar se destacando é a de dermocosméticos. "Essa é uma linha que começou no Brasil há seis ou sete anos e se consolidou muito rapidamente", disse o executivo. Nos produtos da marca La Roche Posay, por exemplo, o Brasil já é o segundo país do mundo em vendas e perde só para a França. "Outra marca recente que fez um enorme sucesso nesse segmento é o Inneov", diz Fenart.
Segundo ele, já há planos de trazer outros produtos da marca além das pílulas com o chamado 'concentrado da beleza'.

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