O mercado brasileiro de maquiagem nunca esteve tão bem servido. Já faz tempo que as principais marcas internacionais desembarcaram por aqui. Entre as mais recentes estão a alemã Artdeco e as americanas Nyx e Bodyography. A icônica M.A.C garantiu seu território há mais tempo: tem oito anos de Brasil e mantém 15 lojas. Ainda este mês, a Chanel inaugura uma loja exclusiva de perfumes e maquiagem no shopping Iguatemi, em São Paulo. Diante da concorrência crescente, a indústria nacional investe em sofisticação.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o segmento de batons movimentou 8% mais em 2009 em relação a 2008 - totalizando R$ 554 milhões. A variação em volume foi menor, de 5%. Já a maquiagem para o rosto teve alta de 40% em valores e de 20% em volume.
Esse movimento não se deve apenas à concorrência externa, diz Monica Gregori, diretora de comunicação e marketing da Natura. "A brasileira está descobrindo o prazer de se maquiar. Até dois anos atrás, 43% das mulheres usavam maquiagem. Hoje, esse percentual subiu para 52%", afirma Monica. Segundo a executiva, a mulher brasileira sempre foi mais básica. Contentava-se com um batom e um lápis e nem queria ouvir falar de base - um produto muito associado a prejuízos para pele. "Isso acontecia, em parte, pela cultura e, em parte, porque não havia muitos produtos adequados ao nosso clima." Atualmente, diz Monica, vive-se um momento de culto à identidade e as pessoas querem expressar sua singularidade e seu estado de espírito. E um rosto maquiado ajuda nisso.
Para aproveitar o bom momento, a Natura passou três anos no desenvolvimento do que afirma ser sua linha mais sofisticada até hoje, a Natura Una, lançada há dois meses. A empresa não revela valores, mas diz que esse foi o mais alto investimento feito em maquiagem pela empresa desde 1992, quando entrou no segmento. "Nossa intenção era criar produtos que unissem sustentabilidade com performance e qualidade", afirma Monica. A nova linha tem, por exemplo, produtos livres de talco mineral - "prejudicial à saúde de quem o extrai". Em seu lugar, entrou um talco feito à base de babaçu. Os produtos da Una ajudaram a elevar a receita líquida da companhia em 22% no terceiro trimestre, para R$ 1,28 bilhão.
Leia mais em www.valoronline.com.br (publicada em 03/12/2010)

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